Questões da nossa Cidade DCCXCVIII
06-12-2018 | por Adé
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I – As circunstâncias do Largo do Souto
Os são-joanenses, em particular os que andam mais atentos sobre o que na cidade se vai passando no que à política diz respeito, recordar-se-ão que, aquando da elaboração do Plano de Pormenor para o Largo do Souto, ter sido incluído no mesmo a construção de uma nova igreja católica, no espaço onde se encontra ainda hoje a moradia do Senhor Padre da paróquia de S. João da Madeira. Essa decisão da construção da igreja e colocada no tal Plano de Pormenor do Largo do Souto limitava o volume da construção de edifícios no espaço que vai do local onde em tempos idos existiu a antiga Esquadra da PSP até ao limite do quarteirão na rua da igreja e bem próximo do sítio onde foi colocado o busto do Senhor Padre Aguiar. De forma a existir ali um largo com jardim, na parte poente do referido espaço, onde as pessoas pudessem estar à entrada e saída da dita nova igreja.
Ora, como se sabe, a ideia da construção da nova Igreja foi posta de parte. Não só pelo seu elevado custo – supostamente cinco milhões de euros, que seria suportado apenas com os donativos dos paroquianos – mas também pelas muitas opiniões divergentes que acharam injustificada a construção de uma igreja tão grande numa pequena cidade onde existe, para além da antiga igreja, quatro capelas católicas, e que apenas encheria uma vez por ano quando fosse celebrada a comunhão, a exemplo do que acontece com os estádios de futebol construidos para o Europeu de Futebol em 2004 e que andam às moscas em 364 dias dos 365 que tem o ano!
O que se propõe perguntar ao nosso município é o seguinte: como não se vai construir a nova igreja que condicionava o volume da construção no terreno referido, irá, o município, alterar o tal Plano de Pormenor e permitir que os terrenos ali existentes sejam utilizados de forma diferente, isto é, na construção de edifícios, que dê ao largo a relevância e a dignidade que merece, ou se, por outro lado, vai permitir que prevaleça o condicionamento contido num Plano de Pormenor ultrapassado e sem viabilidade?

II – Se cair... logo se dá por ela!
Julgo que foi logo no final do segundo mandato do Dr. Castro Almeida que eu, por várias vezes e neste mesmo espaço, chamei a atenção para o facto de existir uma incomodativa fissura numa das extremidades do viaduto que faz parte da Av. dos Bombeiros Voluntários e passa por cima da Av. Vale do Vouga e da linha férrea, ali bem próximo do Centro de Saúde. Tal fissura, que no decorrer destes anos todos já aumentou significativamente de tamanho e não se sabe se o município, ou o responsável da Protecção Cívil ou mesmo o Ministério das Infraestruturas estão a par disto. E, se não está, deveria estar alertada pelo município a instituição que deve estar obrigada a alertar a quem deve alertar para a segurança das pessoas e dos seus bens!
O certo é que o tabuleiro visto por baixo deixa transparecer o grau algo avançado de deterioração, uma vez que as verguinhas de ferro, que normalmente estão cobertas pelo cimento, deixaram de estar. Há imensa infiltração de água da chuva nas vigas que suportam o tabuleiro e não vejo ninguém preocupado com o problema.
É por causa desses facilitismos que elas, as derrocadas e os desabamentos acontecem e alguém se lixa! E depois andamos todos à procura dos culpados e todos sabemos que encontrar culpados neste país não é coisa fácil nestes casos! Tramado fica sempre quem for vítima deles, os desabamentos!
Nas campanhas políticas, quando procuram os nossos votos, os candidatos dizem todos que vão ser diferentes dos que lá estão. Só muito mais tarde é que descobrimos que as diferenças existem apenas na cor da gravata! Porque, no resto... “é viró disco e toca o mesmo”!

III – Só de galochas
Na quinta-feira passada, dia 30 de Novembro, choveu bem, certinho e demoradinho. E se a água que vinha do céu era evitável - se estivessemos munidos de um bom guarda-chuva - já a água da mesma proveniência e que corria pelas nossas ruas era muito mais difícil de suportar!
Quem nesse dia andou pela rua da Liberdade, não deixou de molhar e bem os sapatos e tudo que dentro deles estivesse (meias e pés), porque aquilo mais parecia um rio em leito de mármore! Sem esgotos que conseguissem minimizar a quantidade de água que corria até à Casa da Criatividade. Fugir era quase impossível, sem passeios com degraus.
Na rua do Dr. Maciel, junto ao Parque América, era igual. Não havia esgoto que nos livrasse da água. Na rua Castilho, agora com piso novo e estacionamento mais propício a mobilidade das pessoas, levava-se com a água que desenfreadamente descia a rua, quer estivéssemos a subir ou a descer a mesma! São os nossos técnicos a pensar pequeno. Se fazem a obra no Verão, esquecem-se que há o Outono e o Inverno, altura em que chove e muito! E esquecem-se igualmente que é preciso colocar esgotos necessários de forma a manter os passeios e ruas minimamente transitáveis, particularmente para quem não anda de galochas.
Parece-me que o peão não conta nas preocupações dos responsáveis destes projectos, porque erros destes são recorrentes do nosso município!
Bem... depois, temos os nossos passeios côncavos em que de dois em dois metros há uma poça onde enterramos um pé de cada vez, até ao tornozelo! Os únicos passeios que não têm poça são os feitos com a pedra especial, que são raríssimos. Quando o passeio é feito com pedrinha, estamos feitos ao banho de pés.
É a qualidade de vida que andamos sempre a apreguar e que começamos a perde-la e sem outro motivo de argumentação que não seja o chamar a atenção para aquilo que uns dizem ser impotência - e outros incompetência - da Câmara Municipal, que não sabe cuidar de nós.
Abre-se aqui uma excepção pelo que estão a fazer nas ruas próximas da Capela de Santo António, em que estão a retirar a madeira ali colocada, erradamente, ao nível do solo, cujo custo foi mais um desperdício de anteriores executivos. No resto... está a ser sofrível agora no Outono e vai continuar a sê-lo no Inverno!
Somente porque ninguém, do município, cuida desta cidade como ela deve ser tratada: com carinho e com critério, de forma a mantermos o tal nível de vida que, sinceramente, começa a perder alguma qualidade!

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